Testando e Auditando Acessibilidade
1. Por que ferramentas automatizadas não bastam
Ferramentas automatizadas conseguem detectar de forma confiável cerca de 30% a 40% dos problemas de acessibilidade do WCAG — coisas objetivamente verificáveis por código, como ausência de texto alternativo, contraste insuficiente, ausência de rótulos em campos de formulário, HTML inválido. Elas não conseguem avaliar se um texto alternativo faz sentido, se a ordem de tabulação é lógica, ou se um vídeo tem audiodescrição adequada. Auditoria de acessibilidade de verdade sempre combina automação com teste manual (incluindo teclado e leitor de tela) e, idealmente, teste com usuários reais de tecnologia assistiva.
2. Ferramentas automatizadas
- WAVE (WebAIM): extensão de navegador que sobrepõe ícones diretamente na página, indicando erros (vermelho), alertas que exigem julgamento humano (amarelo) e recursos de acessibilidade presentes (verde). Ótima para revisões visuais rápidas e apresentações a stakeholders.
- axe DevTools (Deque): integra-se ao DevTools do navegador (Chrome/Firefox), mais técnica que o WAVE, aponta exatamente o trecho de HTML problemático e o critério WCAG relacionado.
- Lighthouse (Google, já embutido no Chrome DevTools, aba "Lighthouse"): gera uma nota de acessibilidade de 0-100 baseada no motor axe-core, parte de uma auditoria mais ampla que inclui performance e SEO.
3. Testes manuais essenciais
- Navegação só com teclado (Módulo 3): Tab por toda a página, verificar ordem lógica e foco sempre visível.
- Zoom de 200%: o conteúdo continua legível e utilizável sem scroll horizontal?
- Leitor de tela: ao menos uma navegação básica com NVDA/VoiceOver pelas seções principais da página.
- Verificação de texto alternativo: toda imagem informativa tem
altdescritivo; imagens puramente decorativas têmalt=""(vazio, não ausente). - Formulários: todo campo tem um
<label>associado; erros de validação são anunciados e descritos em texto, não só por cor/ícone.
4. Checklist mínima de uma auditoria
Uma auditoria de acessibilidade bem feita resulta em um relatório com, no mínimo: a lista de páginas/ telas avaliadas, os achados organizados por critério de sucesso do WCAG (com nível A/AA/AAA), a severidade de cada achado (crítico/moderado/menor), evidência (print de tela ou trecho de código) e uma recomendação de correção específica e acionável para cada item.